O novo consumidor (2026/2027): como ele pensa, compra e o que espera das marcas

O consumidor que está chegando em 2026 e 2027 não é apenas uma evolução do atual. Ele é resultado direto de anos de excesso de estímulo, fadiga digital, crises sucessivas e uma relação cada vez mais consciente com tempo, energia e consumo. Isso muda profundamente a forma como ele escolhe marcas, se conecta com produtos e decide comprar.

Estudos recentes da WGSN, mostram um padrão claro: o consumo segue acontecendo, mas sob novas regras. Menos tolerância ao ruído, mais exigência por clareza, coerência e experiências que façam sentido na vida real. Entender esse novo perfil não é acompanhar a tendência. É ajustar a estratégia para continuar relevante.

O que mudou na mentalidade do consumidor

A grande virada não está na tecnologia em si, mas na forma como as pessoas se sentem em relação a ela. O consumidor do futuro chega mais cansado, mais seletivo e muito menos impressionável. Ele já viu de tudo. Já foi impactado por milhares de anúncios, promessas e discursos parecidos.

Por isso, a estética isolada já não sustenta valor. Propósito vazio não convence. Narrativas exageradas geram rejeição. O que passa a importar é aquilo que reduz esforço mental, entrega clareza e respeita o tempo de quem consome. Esse consumidor não busca marcas que gritam mais alto, mas marcas que comunicam com verdade e coerência.

Os perfis de comportamento que já estão moldando o mercado

No mesmo estudo publicado pela WGSN, foram apresentados cada um dos perfis de comportamento desses “novos consumidores”.

O primeiro deles é o Realista Revisado.

Ele abandona discursos fantasiosos e rejeita exageros. Prefere marcas que falam de forma direta, mostram processos, assumem limites e entregam exatamente o que prometem.

Qualquer tentativa de parecer mais do que se é quebra confiança rapidamente.

Outro perfil forte é o Consumidor Antifrágil.

Diferente de gerações anteriores, ele não espera que a marca resolva tudo por ele. Ele valoriza marcas que ensinam, orientam e ampliam repertório. Conteúdo educativo, transparência e incentivo à autonomia deixam de ser diferencial e passam a ser expectativa básica.

Já o Microcomunitário surge como resposta ao excesso do macro. Ele troca grandes discursos por vínculos reais, menores e mais profundos. Prefere marcas que entendem seu estilo de vida, seu ritmo e seus valores, mesmo que isso signifique menos alcance e mais profundidade. O consumidor de 2026 e 2027 compra menos por impulso e mais por alívio. Ele escolhe marcas que simplificam, organizam e facilitam sua vida. Tudo o que gera esforço excessivo, confusão ou fricção é descartado rapidamente.

Comunicação confusa, visual carregado, processos longos e experiências mal pensadas não entram mais na lista de consideração. O critério principal passa a ser economia de energia mental. Por isso, marcas que conseguem ser claras, consistentes e previsíveis ganham espaço, enquanto marcas incoerentes perdem relevância mesmo com investimento alto em mídia.

O Digital continua importante, mas não é suficiente

Outro ponto central é a revalorização da experiência física. O digital segue como pilar, mas já não sustenta sozinho a construção de marca. Esse consumidor sente falta de presença, contato e vivência.

Ativações físicas, experiências híbridas, encontros, microeventos e interações fora da tela passam a ter peso estratégico. Não como espetáculo, mas como extensão coerente do posicionamento da marca. Casos recentes mostram que marcas que traduzem seu discurso em experiência concreta criam memórias mais fortes do que campanhas tradicionais.

O que as marcas precisam ajustar a partir de agora

Diante desse cenário, algumas decisões deixam de ser opcionais. Revisar posicionamento, atualizar narrativa e fortalecer o branding como estrutura estratégica passa a ser questão de sobrevivência. Branding deixa de ser estética ou discurso inspiracional. Ele se torna o elemento que alinha comunicação, experiência, atendimento, preço e presença digital. Sem esse alinhamento, não há confiança. E sem confiança, não há crescimento sustentável.

O consumidor que está chegando não quer marcas perfeitas. Ele quer marcas coerentes. Planejar 2026 com a lógica antiga significa falar com um público que já não existe mais. O novo consumidor não responde a fórmulas prontas, tendências vazias ou promessas genéricas.

Marcas que entendem esse movimento saem na frente porque constroem relevância antes da disputa por atenção. Elas param de correr atrás de alcance e passam a investir em clareza, consistência e valor real. Mais do que acompanhar o futuro do consumo, o desafio agora é decidir se a sua marca vai resistir a ele ou se adaptar com intenção.

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